Conversei com um amigo nosso em comum, que sabe da minha sorologia, e ele falou para que eu não me preocupasse. Eu estranhei a tranqüilidade de ambos: do meu amigo F e do amigo/pretendente B. Tentei arrancar mais informações e foi nessas tentativas que o F falou que o B já sabia de tudo desde quando o meu ex-marido saiu de casa pela primeira vez.
Agora vou explicar como eles ficaram sabendo disso. Meu ex saiu de casa a primeira vez na véspera do meu aniversário lembram? Bom... esse meu amigo F sempre vem na minha casa no dia do meu aniversário, e naquele ano não seria diferente. Ele veio, eu estava super mal e num momento de desespero e desabafo acabei falando toda a historia para ele inclusive do HIV. Ele me deu apoio mas ficou muito triste, pasmo e sem cor para ser mais explícita e não o culpo, na verdade acho normal agora e fico só esperando a reação futura…enfim, com uma historia chocante dessas para ele, ele precisou falar com alguém a respeito e esse alguém foi o melhor amigo dele na época (que era nosso amigo no colégio) o B.
Fiquei feliz e aliviada. Não tinha que contar esperando uma provável rejeição. Ele já sabia de tudo e queria ficar comigo mesmo assim.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Abrindo o jogo
Chance
Depois de quase dois meses um antigo amigo do colégio voltou a entrar contato comigo e se declarou para mim, falando o quanto sempre gostou de mim e me pediu uma chance. Para ele minha filha não era problema e sim solução, segundo palavras dele mesmo. Aquilo aumentou minha auto-estima e meu medo, afinal eu não tinha só uma filha e sim um vírus também. Fiquei animada, mas não quis tentar nada antes de ter certeza que meu ex-marido não quisesse reatar.
Antes da primeira quinzena de outubro eu perguntei para o Sr. R se ele tinha certeza do que estava fazendo e ele disse que sim. Perguntei se ele queria que eu desistisse dele e ele pediu para que eu desistisse, “por favor”- foi assim que ele disse. Então, assim foi. Desde então não tentei reatar com ele e parti para outra. Resolvi dar a chance que meu amigo de colégio pediu e já estava me preparando para falar para ele do HIV.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Tortura
Com o passar dos dias as coisas foram piorando... me sentia cada vez mais sozinha e ele sempre me tratava muito mal quando eu ia entrar em contato. As saudades ou a solidão... a falta de alguém ao meu lado a noite estava me matando. Mas fui ficando cada vez mais ligada a minha anjinha. Ele queria ver a Rafa e eu levava, mas era torturante. Eu sempre tentava firmar algum tipo de relacionamento com ele mas ele sempre fugia ou era ignorante.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Eu e ela, ela e eu...novamente e definitivamente?!
20 de setembro de 2008 – ele vira para mim e fala : ‘vou embora, só estou esperando a Rafa acordar’, e eu repliquei: ‘pra que? Para se despedir e deixar a menina triste de novo?’ e ele: ‘ não, porque quero acender a luz para pegar minhas coisas que estão no quarto’; isso partiu meu coração. Não deu cinco minutos minha filhota acordou, ele estava arrumando as coisas para ir embora, eu inconformada liguei para a mãe dele que disse friamente para mim que já sabia que ele ia embora de casa porque não agüentava mais viver em crise. Detalhe: todo mundo sabia que meu casamento estava em crise, menos eu. Na hora de ir embora ele deu um beijo na Isa e me deu um beijo demorado, limpou minhas lagrimas e falou que ia embora mas não deixaria de pagar as contas e nos ajudar como estava fazendo. Que triste foi aquilo.
Admito que fiquei triste, porque eu fiz todo um sacrifício por ele, abri mão de muita coisa por ele e por mim claro...mas mais por ele, porque se fosse pela minha saúde eu poderia esperar...enfim... eu estava muito triste mas ao mesmo tempo aliviada. Estava com medo de perder minha filha para ele e de ficar sozinha... esse sim era meu único medo. Pelo menos naquele primeiro instante.
Cansei!!!
Depois de muita insistência ele voltou! Mas muito diferente... cheio de si... mas era meu marido, pai da minha filha, eu tinha que tentar! Ele e meus pais não se falavam, eu ficava no meio de um fogo cruzado que só me machucava. Virei escrava da situação... me reprimi, não me expressava mais, fazia tudo sozinha e não brigava nem reclamava mais por nada só para que ele não tivesse desculpas para nos abandonar de novo. Chegou um momento que eu não agüentei mais...fiz o impossível até que consegui: ele e meus pais voltaram a se falar. Claro, que nada mais era como antigamente. Mas pelo menos o fogo cruzado sessou e consegui sorrir de tranquilidade novamente.
E assim fomos levando, ele continuava meio estranho mas suportável...culpava o cansaço e eu acreditava. Só que tudo começou novamente: a indiferença, ausência de diálogos...carinhos, o olhar vazio! Aquilo me deixava louca, e sempre que achava que ia explodir corria pra casa da mãe e ela me orientava a manter a calma e tentar conversar e era isso que eu fazia, mas era inútil... E como tudo na vida tem limites aquela situação também teria... a indiferença dele e da família dele comigo já estava insuportável. Cheguei nele e perguntei porque ele não conversava mais comigo e porque estava me destratando... o nervosismo dele foi tanto que até para a parede sobrou um soco e eu fiquei sem entender. Estava tão confusa com tudo aquilo que cheguei a perguntar se ele estava fazendo tudo aquilo para voltar para a casa da mãe dele e ele disse que não, que não queria voltar para a casa da mãe dele porque me amava e amava a filha dele e queria que vivêssemos juntos e felizes. Hahaha... eu acreditei... pura ilusão. Depois dessa conversa pensei que estávamos bem... não deu uma semana para receber novamente a noticia trágica: “amanhã estou indo embora, cansei! Estou vendo minha vida passar diante dos olhos e não estou curtindo nada”. É dessa vez ele foi esperto... avisou que ia embora na sexta-feira. Entregou-me a aliança falando que era um presente.
Desespero
Véspera do meu aniversário: por incrível que pareça depois de uns dias desse entendimento ele chega em mim e me avisa que no fim de semana próximo iria embora de casa pois não sentia mais nada por mim. Estava de pijama deitada na cama com a minha filha, mal levantei e perguntei para ele se havia outra pessoa e ele disse friamente que não só queria ir embora porque estava cansado de brigas e de mim.
No desespero, levantei-me peguei minha filha e fui para a casa dos meus pais e relatei aos prantos o que estava acontecendo. Nisso meus pais foram tirar satisfação e ambos começaram a trocar ofensas, meus pais falaram que ali não era pensão e que se ele queria sair de casa que saísse aquele dia e assim ele o fez. Sem pensar duas vezes nos deixou e admitiu ser frio e calculista, afinal estava fazendo tudo aquilo com quem lhe confio a vida e bem na véspera de aniversário. Eu perdi meu chão... abandonada pelo marido, sozinha com uma filha de 3 meses. Não queria fazer nada, mal conseguia cuidar da minha filha...ficava deitada pensando numa forma de trazê-lo de volta. Liguei inúmeras vezes, pedi perdão feito uma condenada e implorei para que voltasse e me desculpasse pelas brigas desnecessárias.
Sozinha...?
Eu estava uma pilha, por que um filho é muita responsabilidade e eu nunca podia contar com o Sr. R. Todo aquele pique que ele tinha no começo não existia mais... vivia dormindo pelos cantos e nem compania conseguia me fazer. A solidão e a responsabilidade começaram a me deprimir, e vivíamos sob brigas. Ele parou de me dar atenção e mal olhava nos meus olhos... dialogo não existia mais tanto que chegamos a nos comunicar por carta. E a carta resposta dele não foi a das mais educadas. Chegou um dia que não agüentava mais aquela situação e o chamei para conversar, pedi uma trégua e tentamos ficar de boa. Estava tudo muito bem, parecia que agora estávamos nos entendendo novamente.
Aff...
Passado alguns minutos fui para o quarto, não podia falar nada com ninguém. Fiquei no quarto sozinha por um tempo ate que foi liberada a entrada. Esperava minha mãe ou meu marido... adivinha quem entra primeiro que todo mundo?
Minha sogra e a vizinha dela, a pessoa que não queria que eu casasse com o filho dela e muito menos tivesse um filho com ele entra no meu quarto primeiro que minha própria mãe e marido, praticamente se joga em mim me agradecendo pela neta. Aff... fora que me encheu de perguntas e eu nem podia falar. Logo entra meu maridinho e minha mãe... chorei tanto... queria tanto ver minha filha, mas ainda n ao podia. Ela só foi pro quarto por volta das 21h30, e eu só peguei ela no colo depois das 22h. Os dias na maternidade fora horríveis... muita dor da cesárea e de gases. Quando voltei para casa não foi diferente... era véspera de ano novo e eu estava no hospital porque mal conseguia respirar de tantos gases que eu estava. Mas depois de uns dias as coisas foram normalizando, em compensação meu casamento... ia de mal a pior!
Paranóias...
No fim da gravidez comecei a ter certas paranóias ... morria de medo da anestesia.
Dezembro de 2007...Nossa... era um mix de ansiedade, tensão... eu estava com um barrigão e depois de algumas horas não estaria mais e minha filha estaria do meu lado. É impressionante o dom da vida!
Entrei na sala de cirurgia me preparam e eu estava aflita. Ficava perguntando pelo Sr. R e quando ele apareceu eu cai aos prantos... chorei muito e ele ficou ao meu lado segurando minha mão.
14h59min: nasceu minha anjinha!!! Tão sossegadinha... não queria sair de jeito nenhum, tiveram quem empurrar minha barriga. Eu chorava muito, só queria dar um beijo nela mas ela não ficou muito tempo comigo, tiveram que levá-la para tomar logo o banho e diminuir a probabilidade de contagio. Logo depois que a levaram o Sr. R também teve que sair. Fecharam a cesárea e fiquei sozinha por alguns minutos... horrível isso. Não gostei de ficar lá sozinha... queria ver minha filha, queria minha mãe, queria me sentir segura com alguém do lado.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
"Parabéns mamãe..."
Num sábado bem cedo estávamos eu, Sr. R e meus pais no laboratório, anciosos para o ultra-som. E depois de muita espera, o resultado:"Parabéns mamãe, é uma menina!!!!". O Sr. R não esboçou muita felicidade mas eu fiquei maravilhada, assim como os meus pais. Lembro que até brinquei com o Sr. R pra ver se ele se animava : ‘só porque queria um menino para ser meu puxa-saco vai vir uma menina para ser a sua puxa-saco’ foi em vão. Mas nem liguei muito, afinal meu sonho era uma menina e agora eu sabia que eu era mãe de uma garotinha.
Do laboratório fomos a algumas lojas comprar roupinhas. Eu curti muito!
Depois dessas compras veio os preparativos para o chá de bebê... fiz tanta coisa...com tanto carinho! Foi muito gostoso... curti muito minha gravidez e cada detalhe. Afinal não sei se poderei ter a felicidade de gerar outro bebê. As vezes passo a mão na minha barriga e sinto falta de quando minha filhota era tão pequenininha e ainda estava dentro de mim.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Retrovirais
A partir da décima quarta semana de gestação comecei a tomar retroviral para tentar negativar o bebê da sorologia depois que nascesse. Não tive problemas, nem com o AZT nem com o BIOVIR, tolerei muito bem e nunca passei mal por causa deles, a única coisa chata era ter que tomar no horário, mas no geral foi sossegado.
Depois que engravidei mal tive relações sexuais com o Sr. R mas ele parecia entender. Nunca exigiu sexo, mas eu me sentia mal...porque sabia que ele como homem sentia falta. Depois de umas semanas vi que o Sr. R estava afundado em dividas e nossa situação financeira foi piorando cada vez mais, até um ponto que estávamos vivendo as custas dos meus pais. Era horrível, mas assim fomos levando... com o tempo compramos as coisinhas para o bebê e não víamos a hora de saber o sexo. Eu queria muito uma menina, mas se viesse menino ficaria feliz também, afinal os meninos são mais ligados a mãe, enquanto ele queria muito um menino mesmo. Fiz dois ultra-sons e nada de saber o sexo... sou muito anciosa e não agüentei esperar pelo próximo e resolvemos pagar um ultra-som a parte para descobrir o sexo. Lembro que comi muito chocolate para deixar o bebê elétrico e não com as pernas fechadas...é cada coisa que a gente aprende.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Positivo!
Passou mais uns dias e não sei porque, mas pedi outra guia de exame... e dessa vez o resultado foi POSITIVO!
Ate que enfim um resultado positivo que nos traria alguma felicidade... queria tanto que minha madrinha estivesse conosco.
Meus pais, eu e o Sr R. ficamos muito felizes. Agora era hora de acelerar o casamento. Não queríamos casar com um barrigão enorme. Queríamos provar para todos que estávamos casando por amor e não por gravidez indesejada. Mesmo porque essa gravidez era muito desejada por nós... uma conquista linda.
A familia dele já não estava entendo o porque de casar tão cedo e agora queríamos acelerar ainda mais... não teve jeito e ele teve que contar o porque. Quando eles descobriram da minha gravidez que ficaram sem chão, inconformados... achavam um absurdo eu querer conceber uma criança ‘doente’...aff...que pensamento limitado! Mas não tinha mais o que ser feito. E eles nada poderiam fazer... então aceitaram sem querer aceitar. Lembrando que os únicos da parte do Sr. R que sabiam da sua sorologia eram sua mãe, irmãos, e seu melhor amigos apenas... enquanto eu...hehehe... quase todos que me rodeiam sabem: meus pais, irmão, tios, e alguns amigos mais chegados.
Estava marcado: iríamos nos casar em junho. A casa ficou pronta em cima da hora... ainda me lembro da sensação de enjôo ao sentir o cheiro daquele material de construção...arght!!!
Lembro que no dia do casamento eu estava com quase dois meses de gestação... um dia frio e chuvoso. Foi tudo muito humilde mas muito legal, só pra variar.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Decisão...atitude!
Alianças de noivado compradas... estava decidido: vamos noivar e casar! Mas e casa? Vamos morar onde?
Pronto... ferrou! Meus pais viram nossa cara de preocupados e sugeriram de dividirmos o terreno deles e construir nossa casa. O Sr. R amou a idéia, eu nem tanto. Nunca achei uma boa idéia um casal morar no mesmo quintal que os sogros independente de qual parte seja. Mas o tempo estava passando e o prazo diminuindo. Sr. R conversou comigo e acabamos que concordando com a idéia dos meus pais. Nos endividamos até o pescoço mas compramos o que era preciso para construir nossa casinha e contratamos os profissionais para executar o serviço.
Abril... meu aniversario chegando. Estava sem dinheiro então só teve um bolinho mesmo... e para a minha surpresa o Sr. R me pede em casamento... noivamos no dia do meu aniversario. Foi tudo muito humilde mas muito legal. Nesse dia que a mãe dele descobriu os nossos planos porque ela viu os materiais de construção e ele acabou contando. Ela não pareceu muito feliz, isso porque ela nem sabia que estávamos fazendo isso para ter logo nosso bebê.
No fim da festinha chamei o Sr. R e falei que em alguns dias entraria em meu período fértil e que achava que era nossa chance de tentar engravidar. Ele ficou super empolgado, mas eu o alertei que seria uma tentativa e que se tivesse que ser seria. Marcamos o dia... me lembro até hoje 16 de abril.
16 de abril de 2007... por volta das 20h nosso bebê estava sendo concebido e mal sabíamos. Cada um seguiu para a sua casa... estava anciosa. Mas era preciso esperar um tempo. Já estava até me vendo de barrigão...Não agüentei e acabei pedindo para a minha medica uma guia de exame de sangue para saber... fiz... e o resultado deu negativo.... fiquei muito triste. Me coloquei numa situação de risco tão grande para nada.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Decidida!
Bom...eu surtei. Não sabia se estava preparada para isso. Estava no segundo ano da faculdade. Meus planos eram: terminar a graduação, noivar, juntar dinheiro para um enxoval legal e quem sabe uma casa, nesse meio tempo adquirir um carro e aí sim casar e ter filhos. Mas agora tudo teria que ser antecipado por causa de um vírus! Será que eu queria isso mesmo?
Quais seriam minhas prioridades agora? Será que o Sr. R é o homem da minha vida a ponto de casar e ter filhos com ele?
“Meeeeeeeeeu Deus...socorro! Preciso pensar... estou confusa!!!”
Essa confusão na minha cabeça não durou muito tempo. Cheguei um dia em casa aos prantos e avisei minha mãe que estava indo para a faculdade trancar minha matricula. Ela ficou preocupada por causa da minha bolsa de estudos mas eu falei para ela que a graduação podia esperar... a maternidade não. Liguei para o Sr. R para que ele me encontrasse na facul. Assisti a primeira aula, chamei uma grande amiga e avisei que era a ultima aula que eu estava assistindo e que seria muito ruim se despedir de todo mundo (avisei essa amiga e não o Vi porque ele parou o curso antes de terminar o primeiro ano, mas continuamos grandes amigos até hoje). Ela não estava entendendo nada, até começou a chorar comigo mas queria saber o porque... não sei porque, mas acabei falando pra ela: ‘M. é que eu sou soropositiva e o Sr. R também, mas ele esta ficando mal e daqui a pouco não teremos mais a chance de termos um filho. Vou parar o curso para tentar a maternidade’. Eu pensei que ela até teria nojo de me abraçar depois dessa, mas não... ela continuou chorando, abriu um sorriso e me deu um abraço apertado e me desejou sorte. Foi muito legal... outra amiga que posso contar!
Despedimo-nos e fui ao encontro do Sr. R. Segui até o departamento da facul responsável por trancar as matriculas e fiz o que achei certo fazer. Fomos para a minha casa e perguntei ao Sr. R se ele queria mesmo ter um filho comigo mesmo a familia dele reprovando e ele disse que sim. Então impus minha única condição: casamento. Não sei porque mas impus isso, não queria ser mãe sem estar casada, não queria que as pessoas pensassem que casei só porque estava gravida. E ele falou: demorou! Avisamos os meus pais da nossa decisão e eles ficaram felizes... a partir daqui minha vida iria mudar completamente... muitas felicidades e muitas decepções e tristezas!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Surto materno..
E com o decorrer das semanas minha madrinha estava piorando, mas sempre nos dando apoio.
Depois de umas semanas minha mãe surtou... teve um surto de inconformismo. Não se conformava do Sr. R ter me contagiado e ter-se feito de coitado e passado como o namorado bonzinho que aceitou a namorada soro-positivo... não se conformava d’eu ter conversado a respeito com meu amigo de faculdade primeiro do que com ela. Foi muito difícil esses dias... restabelecer a confiança da minha mãe comigo foi mais difícil ainda. Mas deu tudo certo.
Minha madrinha piorou e ficou internada, minha mãe ficava com ela fazendo-lhe companhia e eu acabei cuidando da casa com meu pai e irmão. Mas isso não durou muito tempo... minha madrinha não aguentou e acabou falecendo. Foi uma perda irreparável, até hoje ela faz muita falta para todos nós.
Nesse meio tempo muitas coisas vieram a tona nas consultas com a minha infectologista e tudo me deixou muito confusa e assim acabei surtando. Os resultados dos meus exames eram ótimos mas o Sr. R estava ficando cada vez pior. Nisso veio o assunto: gravidez; e minha infecto nos esclareceu (eu e minha mãe que sempre me acompanha nas consultas). Ela disse que eu estava num ótimo período para engravidar mesmo sendo soropositiva, pois assim teria mais chances do bebe negativar, e que se o meu parceiro continuasse com o CD4 baixando e a carga viral aumentando chegaria o momento dele tomar os retrovirais e não seria muito seguro eu manter relação sexual com ele sem camisinha para tentar engravidar; porque o meu corpo receberia o virus dele e o mesmo sofreria mutações o que poderia ser prejudicial para tentar negativar o feto. Conversei com os meus pais a respeito e eles super aprovaram e apoiaram. O Sr. R ficou muito feliz, porque para ele, ele nunca poderia ter filhos e até iria falar com a mãe dele a respeito. A mãe dele, assim como os irmãos, foram contra, achavam um absurdo a gente querer colocar no mundo mais um ser doente. E eu???
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