quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Nojo

Bom... estávamos sentados numa mesa da praça de alimentação do shopping nos quatro – eu, ele, e nossas respectivas mães - e a Rafaela. A conversa estava meio tensa, eles pareciam estar escondendo algo, mas a presença da minha mãe parecia intimidá-los. Quando percebi isso pedi para que a minha mãe comprasse uma água para mim e essa foi a ‘deixa’ para eles. Minha mãe mal levantou quando a mãe dele me falou: “Ó Tá (é, ela me chamava de Tá porque dizia ser mais prático) vou falar logo porque a médica dele pediu que avisasse você pelo contato que vocês tiveram e pelo contato dele com a Rafa. Sabe aquelas coceiras que o R. tem pelo corpo? Então...é sífilis. Está no estágio secundário e graças a Deus que descobrimos agora porque o próximo estágio poderia causar meningite. A infectologista do R. pediu para você e a Rafa fazerem exames para saber se não contraíram também. Pensa assim Tá, pelo menos essa tem cura!”. Juroooooo que nesse momento meu mundo caiu... não tinha, alias, não conseguia me expressar só queria tirar minha filhas dos braços nojentos dele. Ele percebeu que eu não ia falar nada então soltou: “Pode ficar sossegada Tá, pois já estou na segunda semana de tratamento. Só providencie logo os vossos exames!”. Muito cara de pau, como diagnostica uma coisa dessas, sabe que podia ter nos colocado em risco e no entanto espera DUAS semanas para me notificar. Senti que lágrimas iam correr pelo meu rosto. A ‘conversa’ foi tão rápida que minha mãe pegou no final, quando ela chegou e viu minha cara de espanto perguntou o que havia acontecido e aí sim falaram pra ela. Mas eu não estava agüentando mais ficar perto deles. Uma ânsia de vômito aumentava em meu organismo cada vez que olhava para eles. Pedi para minha mãe ficar de olho na Isa e fui ao banheiro. Chorei muito, lágrimas de ódio, um nojo dele sem tamanho tomava conta de mim e questionamentos aumentavam na minha cabeça: “como pude me casar com um cara tão podre?!” – “onde ele se meteu para pegar tanta doença meu Deus” – “Senhor, dai-me forças para voltar e ficar no mesmo ambiente que eles”.
Lágrimas derramadas, rosto lavado, cabeça erguida... lá fui eu, voltar à mesa onde aqueles infelizes estavam com a minha mãe e filha. Para minha surpresa não vi nem o Sr. R. nem minha filha na mesa, e já procurei com os olhos em todos os cantos daquela área quando os avistei admirando uma arvore de natal que o shopping montara, afinal dezembro é época de lindas decorações natalinas, principalmente nos shoppings. Decidi nem voltar pra mesa, não estava a fim de manter qualquer bate-papo com a víbora da minha ex-sogra, senti pena da minha mãe que estava com ela. Fui até minha pequena menina. Mas não consegui ficar muito tempo, aquele turbilhão de noticias revirou meu organismo e sentia que se ficasse muito tempo lá iria passar mal. Falei pro Sr. R que não estava me sentindo bem e precisava ir embora, ele entendeu. Chamamos nossas mães e fomos embora, eles nos acompanharam até a saída, e por incrível que pareça, se despediram com um abraço apertado e um beijo...abraço de urso e beijo de ‘Judas’.
Minha primeira reação ao ficar sozinha com minha mãe e filha foi chorar mais um pouco, a mágoa que eu estava sentindo não tinha tamanho, precisava ‘sair’ alguma coisa por algum lugar, então saiu dos meus olhos em forma de lágrimas apenas uma pequena parte dos sentimentos que eu tinha naquele momento. Minha mãe tentou me consolar mas ela estava com tanta raiva quanto eu.
No estacionamento avistamos meu pai dentro do carro estacionado e meu novo companheiro... meu namorado M. chegando. Fiquei pensando como diria aquilo para ele, se eu estava com nojo de mim mesma como ele se sentiria?
Mas aquilo não era coisa de se esconder. Ao contrario do que o Sr. R fez comigo e com a minha filha, assim que estavam todos dentro do carro eu dei a noticia à ele e meu pai. Depois de ter contado apenas um pensamento foi mútuo: “Sr. R NOJENTO”.